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WiN Brasil celebra pré-lançamento de e-book e consolida agenda de políticas públicas para mulheres do setor nuclear

26 de agosto de 2026
Com presença de autoridades do governo federal, WiN Brasil consolida agenda de políticas públicas para mulheres do setor nuclear

O setor nuclear brasileiro ganhou, nesta terça-feira (25), um novo capítulo na construção de uma agenda de equidade de gênero. Durante a International Nuclear Atlantic Conference (INAC 2026), na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro, a Women in Nuclear Brasil (WiN Brasil) realizou a plenária de pré-lançamento do e-book “Políticas Públicas para Mulheres na Área Nuclear – WiNPP”, reunindo mulheres de diferentes regiões, instituições e áreas de atuação para celebrar uma construção coletiva e reafirmar um compromisso: transformar demandas em políticas e propostas em ações concretas.

O WiNPP nasceu como desdobramento da Conferência Livre “Mulheres no Setor Nuclear: Equidade e Desenvolvimento Sustentável”, realizada em 2025 como preparação para a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, promovida pelo Ministério das Mulheres.

Ao longo de cinco meses de trabalho, o projeto mobilizou mais de 60 mulheres, de 11 estados e das cinco regiões brasileiras, envolvendo 35 instituições e organizando as discussões em dez eixos temáticos.
Formação e carreira, liderança, equidade racial, maternidade, ambientes institucionais e valorização profissional estiveram entre os temas que orientaram a construção das propostas.

Para a presidenta da WiN Brasil e Líder de Suporte aos Capítulos da WiN Global, Gabryele Moreira, o significado do projeto vai além da ampliação da presença de mulheres no setor. “Além de produzir um documento, o WiN PP busca não apenas aumentar a presença das mulheres no setor nuclear; mas garantir que elas possam permanecer, crescer, ocupar espaços de liderança e participar efetivamente das decisões que definem o futuro da área.”, afirmou.

A iniciativa pretende fazer do e-book não apenas um registro do trabalho realizado, mas uma ferramenta de transformação institucional.

::Uma construção feita por muitas vozes
A abertura da plenária foi conduzida pela coordenadora de comunicação da gestão Diversidade & Inclusão, Nicéa Barreto, que deu as boas-vindas às participantes e destacou o alcance nacional da iniciativa.

A dimensão coletiva esteve presente também na formação da mesa, composta por representantes de universidades, empresas, órgãos reguladores, sociedades científicas, organizações da sociedade civil e ministérios.

Participaram da mesa mulheres oficialmente indicadas pelas instituições às quais representavam:

Ana Beatriz Julião — coordenadora do Coletivo de Mulheres Negras na Área Nuclear (MunaN);
Divanízia Souza — professora titular do Departamento de Física da Universidade Federal de Sergipe (UFS);
Elba Etchebehere — presidenta da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN);
Heloísa Serra — assessora da Presidência e coordenadora do Comitê de Gênero, Raça e Diversidade da Eletronuclear;
Isolda Costa — diretora-superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos;
Janina Onuki — coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP);
Ketrim Souza — representante das Indústrias Nucleares do Brasil (INB);
Lygia Pupatto — assessora especial do Ministério das Mulheres, representando a ministra Márcia Lopes.
Lorena Pozzo — diretora de Instalações Radiativas e Controle da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN);
Marcilei Guazzelli — representante da Sociedade Brasileira de Física (SBF);
Maritza Gual — engenheira nuclear e representante da AMAZUL;
Raquel Guimarães — diretora de Assuntos Regionais da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT);

Ainda segundo Gabryele, a agenda do WiNPP considera que diferentes mulheres enfrentam diferentes barreiras e que políticas efetivas precisam levar em conta dimensões como gênero, raça, maternidade e território. “Falar de equidade significa reconhecer que gênero, raça, maternidade, território e outras dimensões podem produzir barreiras distintas e, portanto, exigem respostas institucionais igualmente diversas.”, pontuou.

A proposta é que o e-book possa ser utilizado por instituições, empresas, universidades, órgãos governamentais e organizações do setor nuclear como referência para pensar e implementar ações concretas.

::A presença dos ministérios
A participação de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério das Mulheres (MM) deu à plenária uma dimensão institucional ainda mais ampla.

Representando o MCTI, Isolda Costa enfatizou a relevância do fortalecimento das mulheres nas carreiras de ciência, tecnologia e inovação, destacando o papel essencial do IPEN e da CNEN no fomento à equidade. “Essa linha de atuação tem um valor especial para nós porque temos hoje a primeira mulher na liderança do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a ministra Luciana Santos. A presença de mulheres em posições de liderança não deve ser vista como uma exceção ou conquista isolada, mas sim como parte natural da rotina de pesquisa, inovação e desenvolvimento. No setor nuclear, isso assume uma dimensão ainda maior diante de desafios estratégicos como a segurança energética, a transição para uma economia de baixo carbono, a saúde e a produção de radiofármacos. Para enfrentar esses desafios, precisamos de mais ciência, mais cooperação e, essencialmente, da presença e liderança feminina.”


Já Lygia Pupatto, assessora especial do Ministério das Mulheres e representante da ministra Márcia Lopes, afirmou: "No ano passado, construímos a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres e foi uma experiência emocionante acompanhar as Conferências Livres pelo Brasil. Ver a conferência do setor nuclear ser tão representativa e maravilhosa reforça que, para construir uma política pública verdadeira, é fundamental ouvir a sociedade civil. A realização deste e-book tem papel essencial para ampliar o debate sobre o combate às discriminações, o reconhecimento do valor do trabalho e o fortalecimento da autonomia econômica das mulheres para que elas ocupem os espaços de saber e poder e sejam o que quiserem ser."

A presença das duas representantes reforçou a conexão entre a agenda construída pela WiN Brasil e as políticas públicas voltadas à ciência, tecnologia, inovação, desenvolvimento e promoção dos direitos das mulheres.

::Uma rede que atravessa instituições
O WiNPP foi construído com a participação de um amplo conjunto de organizações. Além das instituições representadas na mesa, a WiN Brasil reconheceu a contribuição de:

AMAZUL – Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A.;
ANAEMN – Associação Nacional de Empresas de Medicina Nuclear;
ANSN – Autoridade Nacional de Segurança Nuclear;
BRICS+ Tech Forum;
CDTN – Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear;
CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear;
CRCN-NE – Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste; Eletronuclear S.A.;
GSI – Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
IEN – Instituto de Engenharia Nuclear;
INB – Indústrias Nucleares do Brasil;
IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares;
MunaN – Coletivo de Mulheres Negras na Área Nuclear;
SBF – Sociedade Brasileira de Física;
SBMN – Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular;
SBRT – Sociedade Brasileira de Radioterapia;
UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais;
UFS – Universidade Federal de Sergipe;
USP – Universidade de São Paulo;
VISA-MG – Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais; e
WiN Global – Women in Nuclear Global.

A mensagem deixada pela organização foi direta: “O futuro da nuclear sem as mulheres é inviável.”

A plenária também contou com um agradecimento especial à Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), por abrir espaço para a realização do encontro durante a INAC 2026. Na ocasião, a diretora da ABEN e coordenadora-geral da INAC, Maria de Lourdes Moreira, recebeu uma homenagem da WiN Brasil.

Camila Engler e Geórgia Joana, membras do atual comitê executivo da WiN Brasil e coordenadoras do GT de Eventos também estiveram presentes no evento, assim como a coordenadora do GT Administrativo-financeiro, Mércia Assis.

A apresentação do projeto e do e-book foi feita pela vice-presidenta, Karoline Suzart, que revelou que o documento está em processo de publicação que deverá acontecer, em breve, pela Universidade de São Paulo (USP). A metodologia tem a chancela da coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas, Janina Onuki e da vice-reitora da universidade, Liedi Bernucci.

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